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A depressão pós parto e os efeitos no bebê

Com o parto, muitos sentimentos são despertados, tanto na mãe como no seu ambiente familiar e social. Estes sentimentos e reações conscientes e inconscientes podem reativar profundas ansiedades, desencadeando em alguns casos o quadro depressivo.

Define-se a depressão pós parto ( DPP) como um transtorno que acomete as mães entre 04 a 12 semanas após o nascimento do bebê ( CID 10) e tem prevalência nos primeiros 02 meses do pós-parto, podendo persistir até os 06 primeiros meses de vida do bebê.

Alguns dos sintomas mais comuns são: tristeza, desesperança, culpa, cansaço e apatia, distúrbios do sono, distúrbio na alimentação, sentimentos de incompetência, isolamento social e principalmente rejeição total ao bebê.

Tal transtorno pode influenciar significativamente a relação entre esta mãe e seu bebê, podendo causar prejuízos a este, principalmente quando os sintomas são persistentes.

Vários estudos recentes demostraram a grande influência da mãe no desenvolvimento neurobiológico e psicológico da criança. Ela tem papel fundamental na proteção do seu bebê contra os fatores estressores do ambiente. A qualidade do vínculo, a tradução e satisfação das necessidades do recém-nascido, cria uma espécie de filtro psíquico que aliado a estímulos táteis, visuais e auditivos possibilitará o desenvolvimento das capacidades positivas pré-programadas geneticamente.

Neste sentido, Winnicott , pediatra e grande teórico da psicanálise, foi um dos primeiros a hierarquizar o papel da mãe no desenvolvimento mental da criança; ele considera a mãe como ativa construtora do espaço mental do bebê. Deste modo, introduziu a idéia de “ preocupação materna primária”, como um estado em que a mãe consegue empatizar com as necessidades do seu filho e assim satisfazê-las, contribuindo para que o desenvolvimento mental desta criança ocorra adequadamente.

Motta, Lucion e Manfro(2005) no artigo “Efeitos da depressão materna no desenvolvimento neurobiológico e psicológico da criança” apontam que os bebês de mães deprimidas apresentam frequentemente mais alterações comportamentais, entre elas: evitação do olhar e menor vocalização. Estes autores também citama relação entre a depressão materna e a elevação dos níveis de cortisol (hormônio produzido em resposta ao estresse) tanto em bebês como em crianças com idades pré-escolares, o que pode causar desde alterações do sistema imunológico celular até alterações de memória e aprendizado.

Desta forma, é fundamental que aqueles de relação mais próxima e de vínculo imediato com esta mãe estejam atentos, ajudando-a no desenvolvimento de uma maternagem adequada e possibilitando, quando necessário, o apoio médico, psicológico e social que ambos necessitam.

Artigo publicado em março de 2014 no site: www.portalbelezadamulher.com

Dra. Marina Pacheco Valim
Psicóloga clínica e Psicanalista
CRP: 06/78139