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Quando a dor do corpo tem origem na mente

Já reparou que aquele resfriado ou aquelas dores no estômago vieram logo em seguida a um momento emocional mais difícil? Nem sempre a relação é tão visível assim, na verdade é muito frequente que essa relação passe desapercebida pela consciência e só quando o problema se agrava é que descobre-se a causa.

Não raro ouvimos em nossos consultórios relatos sobre dores crônicas que não encontram respostas na medicina para suas causas e/ou tratamento. A esses quadros damos o nome de somatização ou doenças psicossomáticas. Pessoas que se deparam com dores persistentes como úlceras, alergias, problemas de pele, enxaquecas, palpitações intensas são apenas alguns exemplos do que a mente pode produzir no corpo se aquilo que se origina nela não puder ser percebido e tratado como tal.

Dores emocionais frequentemente são deixadas de lado, negadas ou diminuídas em sua importância e, portanto, não sentidas. Nem sequer percebidas. Desta forma, resta então ao corpo a tarefa de sentir. Sentir fisicamente o que a mente não suportou. Estes sintomas corporais vão desde episódios ocasionais e por vezes graves, como resfriados ou inflamações, até condições mais frequentes e crônicas como úlceras, enxaquecas, vitiligo e alergias.

No entanto, estes pacientes com frequência estão muito ligados à racionalidade, ao mundo concreto e raramente se permitem acessar as próprias emoções, fantasias e simbolizações. Portanto, geralmente demoram a se entregar a um tratamento psicoterapêutico. O que ajuda muitas vezes é a resposta real e concreta da medicina apontando para um não-diagnóstico no corpo, ajudando a aceitar que as causas estão na mente.

Considero de extrema importância o jogo de palavras discutido pela Profa. Dra. Sueli Rossini (2017) que pergunta: Viver com dor ou sofrer a dor? Entendo que neste primeiro viés falamos de uma dor crônica que não se vai, enquanto que num segundo momento a potencialidade de um “ou” se apresenta na frase oferecendo a chance de sentir a dor psíquica que de fato lhe dói para então se livrar da dor física ou nem chegar a tê-la.

Sendo assim o tratamento nestes casos caminha em direção a um conhecimento profundo sobre si mesmo e suas emoções, seus traumas muitas vezes não identificados, seus limites e suas potencialidades, além de ajudar a encontrar novas formas de se relacionar com o mundo, levando em conta suas emoções ao invés de represá-las ou negá-las a si mesmo.